Que tal mil bibliotecas para mudar o Brasil?

Uma lei sancionada esta semana passou quase despercebida, mas ela pode ser, pelo menos, motivo para um bom debate sobre os rumos da educação e da cultura no Brasil. O texto regulamenta a profissão de técnico em biblioteconomia, profissional de nível médio encarregado de auxiliar os bibliotecários, que são profissionais de nível superior.

Foto: Nelson Kon/ BVL

A lei define que as atribuições do técnico em biblioteconomia incluem: auxiliar nas atividades e serviços concernentes ao funcionamento de bibliotecas e outros serviços de documentação e informação; e auxiliar no planejamento e desenvolvimento de projetos que ampliem as atividades de atuação sociocultural das instituições em que atuam.

O Brasil tem, proporcionalmente ao seu tamanho e população, poucas bibliotecas. E as que existem carecem de profissionais. A criação dessa nova carreira de técnico em biblioteconomia pode representar uma saída para a falta de leitura que assola o Brasil. Mal comparando, é como se tivéssemos hospitais sem enfermeiros, só com médicos. Os técnicos podem fazer nas bibliotecas o trabalho que os enfermeiros fazem nos hospitais.

A lei é fundamental para definir as atribuições dos profissionais de nível médio e superior e para atender o disposto na Lei 12.244/10, que obriga todas as escolas a terem bibliotecas até o ano 2020.

Se o Brasil fosse rápido na implementação de políticas públicas de educação e cultura como é em outras áreas (por exemplo, grandes obras como hidrelétricas e estádios de futebol), seria possível cumprir a Lei 12.244 até 2020 e ter todas as escolas com bibliotecas e bibliotecários, ou pelo menos um técnico em biblioteconomia em cada uma delas, como define a lei sancionada esta semana.

Não é uma meta impossível, e seria uma conquista e tanto para comemorar o propalado bicentenário da independência do país, em 2022.

Bibliotecas, hoje, são tão ou mais importantes do que eram no passado. Elas guardam livros e, também, são lugares para pesquisas, estudos, atividades culturais, profissionais e até esportivas. Conheci uma biblioteca parque na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que dava cursos profissionalizantes para pais e mães, enquanto os filhos faziam o dever de casa.

Outra, na comunidade de Manguinhos, também no Rio, dava aulas de balé e teatro, tinha cinema e oferecia ginástica para mulheres.

São super equipamentos públicos que podem mudar a realidade de uma região. Foram inspiradas na experiência de Medelín, na Colômbia, que construiu belíssimas bibliotecas em bairros violentos e viu a criminalidade cair de forma impressionante.

Sugiro que o tema da universalização das bibliotecas escolares e da criação de bibliotecas parque nos centros urbanos entre no debate eleitoral deste ano. Se o Brasil investir nessa área o que investiu na Copa de 2014 (R$ 25 bilhões), seria possível equipar o país inteiro, e não apenas algumas capitais, de espaços como a Biblioteca Gabriel García Márquez, construída em Bogotá, ou a Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

São locais que impressionam pela qualidade do ambiente e pela quantidade de pessoas alcançadas. A Villa-Lobos, por exemplo, recebe cerca de 250 mil visitantes por ano. Imaginem isso multiplicado por mil, e espalhados pelo Brasil? Fica a sugestão.

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