A saga da família Karl Marx e as ideias que mudaram o mundo

“Deve haver algo de podre no cerne de um sistema social que aumenta sua riqueza sem diminuir sua miséria”. Karl Marx Terminada a leitura das quase novecentas páginas de “Amor e capital: a saga familiar de Karl Marx e a história de uma revolução”, da escritora norte-americana Mary Gabriel, temos a sensação de haver feito um voo panorâmico sobre a história do século 19 e, ao mesmo tempo, ter conhecido personagens reais de um grande romance de época. O livro tem essa capacidade de unir o conhecimento histórico à fruição literária. E, de quebra, ainda nos dá uma aula sobre economia política, passeando pelas ideias de Marx e Engels, entre outros pensadores do oitocentos. Incompreensível para a ma

O revólver e o verbo

A arma não foi disparada e o assalto ocorreu conforme o que foi previsto (pelos criminosos). Não levaram muita coisa. Não havia cofre, nem armas, nem dólares e nenhuma joia de valor. Mas havia celulares e um bom aparelho de televisão. Sim, e o meu computador pessoal. Nos trancaram num dos quartos da casa e roubaram o que puderam roubar em poucos minutos. Éramos oito. Seis adultos e dois adolescentes. Sete homens e uma mulher. Ninguém saiu ferido, a não ser o pobre do serralheiro, que além de perder o celular ainda levou um safanão. Nada sério. Nem mesmo sangrou. O portão estava aberto e a ocasião propícia aos assaltantes. Descuido nosso. Não é possível mais viver despreocupado, como antigame

Vozes do passado

Quando a minha cidade tinha menos ruídos urbanos e mais barulhos naturais – do vento, das folhas e das crianças – a voz humana era um componente importante da paisagem sonora. O mesmo acontece quando se caminha por uma estrada no meio do nada, e o vozerio das conversas nos chegam com tanta intensidade que as palavras persistem na memória por muito tempo. Foto do Blog do Chiquinho Dornas. Minha quadra, a SQN 312, onde passei a maior parte da minha vida, tem guardada até hoje algumas dessas vozes. Seu Jari, nosso vizinho de corredor. Carioca, negro e conversador. Sempre que me via tinha uma frase pronta, arrastando todos os esses. Junto com seu Zé Gomes, paraibano; seu Jéter, outro carioca; e

Crônica de uma tragédia anunciada

Li Crônica de uma morte anunciada em uma só sentada. Foi a minha primeira experiência com Gabriel Garcia Márquez. Depois viriam Cem anos de solidão, O amor nos tempos do cólera, Notícia de um sequestro e muitos outros. Gabo, como era chamado pelos amigos, foi tão importante na minha vida profissional que, olhando a partir de hoje, acredito que ele tenha me empurrado para o jornalismo. Mas este é assunto para outro texto. Quero falar agora sobre seu livro que narra a morte anunciada de Santiago Nasar pelos irmãos gêmeos Pedro e Pablo Vicário. Muitas resenhas já foram escritas para explicar a capacidade de Garcia Márquez de segurar o leitor durante quase 200 páginas, mesmo tendo afirmado, no t

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