Alô Kabul? Saigon chamando

Mauro Lando - 24/08/21



Saigon - Alô, Kabul, aqui Saigon chamando, como anda a barra por ai?

Kabul - Pesada mano, nem queira saber

S - Igual aqui? Com gente pendurada nos patins do helicóptero?

K - Pior, maninha, teve gente pendurada na fuselagem do avião... depois despencaram...

S - Caramba! e as lideranças?

K - Se mandaram, igual às suas...

S - Levando ouro? Aqui teve um general que encheu um avião inteiro de ouro - virou empresário na Califórnia. Era general de quatro estrelas... abriu uma lavajato, “Four star wash”.

K- Pelo menos ficou no mesmo ramo...

S - Pois é...

K - Aqui as coisas são mais primitivas, de vez em quando saíam aviões executivos cheios de caixas de milhões dólares em cash, para Dubai...

S - E o "Exército do Afeganistão"?

K - Igualzinho ao "Exército do Vietnam do Sul" - só existia no papel, para receber os salários. Dos quais parte ficava com os comandantes - uma “rachadinha” estilo Brasil...

S – Aqui no dia do ataque do “Tet” que chegou quase às portas da embaixada americana, disseram que foi “falha da inteligência” – quando qualquer criança vietnamita conhecia a história.

K – Aqui também estão culpando a “inteligência” – que já tem gente propondo mudar o nome pra “burrice”. Agora a imprensa está perguntando onde foi gasto o tal trilhão de dólares de “ajuda”. Eles têm um conceito meio elástico do que é “ajuda”. A comida dos soldados vinha dos EUA prontinha, congelada. Essa despesa, gasta com os provedores americanos, também entrava na conta de “ajuda”.

S – No nosso caso as bombas de napalm jogadas a esmo na selva eram contabilizadas como “operações de apoio ao Exército do Vietnam do sul”.

K – Aqui estamos de volta à estaca zero de 20 anos atrás.

S – Então a intervenção americana não adiantou nada?

K – Adiantou sim. Os fornecedores do exército faturaram as burras, como em todas as guerras... e as mulheres puderam ir à escola, até frequentar a universidade. Pois agora os fanáticos as estão caçando de casa em casa.

S – Isso me cheira a Pol Pot...

K – Espero que não, maninha, mas vamos ter que pagar pra ver...

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