Livro mostra mundo opressor onde os leitores não têm vez nem voz


Fahrenheit 451

Muitos conhecem de ouvir falar ou já leram Revolução dos Bichos, de George Orwell, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e 1984, também de Orwell. Formam o trio clássico dos chamados “romances anti-opressão”, que denunciam, por intermédio de histórias distópicas ou fábula satírica, o totalitarismo na primeira metade do século 20, em especial o Nazismo, o Fascismo e o Stalinismo. Os dois primeiros perderam a guerra, em 1945, mas a URSS de Stálin estava entre os vencedores, o que impediu que a crítica ao modelo soviético fosse unânime, o que lançou desconfianças de leitores bem pensantes, ou nem tanto, sobre as reais intenções dos autores, em especial Orwell. De qualquer forma, os livros continuam atuais em suas críticas ao poder e à capacidade das sociedades organizadas conseguirem minar o indivíduo que se opõe ao status quo, independente da ideologia.

Um quarto livro que faz a crítica à opressão, e talvez menos conhecido pelos leitores, é Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, a história condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. A diferença deste quarto livro, é que a crítica de Bradbury atinge também o modelo da chamada “democracia capitalista”, liderada pelos Estados Unidos.

Como cita o resumo publicado no site da editora Biblioteca Azul, que relançou o livro no Brasil em 2003, “a singularidade da obra de Bradbury, se comparada a outras distopias, como Admirável Mundo Novo ou 1984, é perceber uma forma muito mais sutil de totalitarismo, uma que não se liga somente aos regimes que tomaram conta da Europa em meados do século passado. Trata-se da “indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético – a moral do senso comum”, segundo as palavras do jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da obra.

O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.

Fahrenheit 451 tornou-se um clássico não só na literatura, mas também no cinema. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme de mesmo nome estrelado por Oskar Werner e Julie Christie.

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