Aprender a viver

Terminei a leitura de um livro instigante: Palavra de Honra, de Ana Maria Machado. Sabia dos muitos livros infantis dela, mas nunca havia encarado um romance seu. Li, gostei e passo pra frente, especialmente porque a narrativa é uma aula sobre a vida. Ao contar as histórias de cinco gerações de uma família, Ana Maria Machado nos dá lições que nos ajudam a navegar no mundo de hoje, tão cheio de complexidades. Relações entre pais e filhos, entre irmãos, e entre parentes de um modo geral, formam a teia do livro da escritora. A partir da história do português José Almada, que migrou para o Brasil no século XIX, ela reconstrói as aventuras de toda a família, de forma sutil e quase sem querer que

A árvore do pai

− Quando morrer quero virar árvore, disse certa vez aos netos. − E se morrer um bebê, vira uma plantinha? Perguntou a neta, de apenas cinco anos. Ele achou melhor mudar de assunto, antes que a curiosidade dos netos levasse a conversa para o mau caminho do medo da morte. Mas, ao voltar para casa, a pé, pois ele morava a poucas quadras da casa da filha, o homem continuou pensando no assunto. Nos últimos anos perdera tios, irmãos, primos, amigos... Parou de contar quando a conta ultrapassou os dez dedos das mãos. “Se cada um deles fosse uma árvore, daria para fazer um bosque”, imaginou. "O tio Joaquim seria uma mangueira, daquelas que na primavera se enchiam de flores róseas que tapavam o verde

Escravidão e literatura

O Brasil foi o país que recebeu mais africanos escravizados entre os séculos 16 e 19 e o último do mundo a acabar com o cativeiro. Nossa literatura, no entanto, não reflete essa realidade. O tema do escravismo e da fuga dos escravos mereceu pouca ou nenhuma atenção dos nossos escritores. Acontecimentos históricos da importância de um Quilombo dos Palmares, por exemplo, que renderam numerosos estudos nas ciências sociais, não foram, até hoje, transformados em tema literário que chegasse a atingir o grande público. Enquanto nossa arte musical reflete plenamente nossa cultura negra ancestral, nossa literatura continua majoritariamente branca e europeia. O mesmo não aconteceu nos Estados Unidos,

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