120 anos depois, o J'Accuse de Émile Zola se encaixa no Brasil de hoje

Há 120 anos o escritor francês Émile Zola era condenado a um ano de prisão e multa de três mil francos por causa de um artigo, publicado no dia 13 de janeiro de 1898 em um jornal de Paris, o L’Aurore. Dez dias depois ele seria julgado e condenado, sumariamente, por ofender o Estado-Maior francês. No texto, Zola fazia a defesa do capitão do Exército Alfred Dreyfus, condenado por traição por haver supostamente repassado documentos sobre a defesa nacional aos alemães. Condenado em 1895 ao degredo perpétuo em uma colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, Dreyfus, soube-se depois, era inocente. Judeu em um Exército de arianos, Dreyfus pagou o preço do antissemitismo que, em breve, iria

Cartola e o Presidente

Brasília, dezembro de 1978, se não me falha a memória. Jornalistas, artistas e intelectuais da cidade se encontravam no Clube da Imprensa para falar mal do governo (naquele tempo ainda estávamos em plena ditadura militar), beber cerveja e jogar futebol. Não nessa ordem, pois primeiro vinha o futebol, depois a cerveja, e só então a coragem para esculhambar os milicos, que ainda prendiam e arrebentavam, apesar da prometida abertura: lenta, segura e gradual. O Clube também era o local para onde se levavam os artistas e as figuras públicas nacionais que vinham à cidade. Me lembro de uma visita muito especial, feita pelo compositor Cartola, da Mangueira. Meu pai, Manoel, mas que todos conheciam p

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