Consciência negra

Camilo (a história é real, mas o nome é fictício) fumava calmamente seu cigarro, depois de jantar em um restaurante self-service na Asa Norte. Fumava e caminhava, para fazer o quilo, e também gastando hora para retornar ao plantão. Ilustração: Cauê Mathias Duas moças que estavam à sua frente pareciam incomodadas com a presença dele. Camilo suspeitou da suspeita e tratou de desacelerar sua caminhada, para não parecer que estivesse perseguindo as duas. A desconfiança das moças não tinha uma explicação racional. Ele não estava em atitude suspeita, como frisa o manual da polícia, e muito menos falando ou fazendo alguma coisa que pudesse agredir ou amedrontar alguém. Camilo era apenas mais um hom

Palavras verdadeiras

No dia seguinte à partida de Ariano Suassuna para o céu dos artistas e destemidos defensores da cultura popular, algumas frases do escritor apareceram nos jornais, blogs e redes sociais. De uma me lembro bem, aquela em que ele dizia algo como: “não troco meu ‘oxente’ pelo ‘ok’ de ninguém”. Alguém poderia lembrar que não são termos sinônimos, que o okay inglês, tanto usado por essas bandas há décadas, significa certo, pronto, correto, aprovado etc., enquanto oxente é uma interjeição de espanto, como se o sujeito dissesse: o que isso rapaz! Tá me estranhando? Ou algo assim, pois o termo é muito rico, e os nordestinos o sabem bem. Mas Ariano não queria trocar uma coisa pela outra, acho eu, e si

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